Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 20: Entrega

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CAPÍTULO 20
 
 
 
                   Entrega                                       

 
                                           Os funcionários do armazém vão à fazenda
                                         de Otávio para fazer uma entrega,            
                                mas Altair está para chegar e o         
             encontro pode acontecer.



               Uma semana depois Antonio, José e Pedro são designados pelo patrão a fazer uma entrega de mercadorias na fazenda que Otávio comprara. Seria a oportunidade de rever o filho e isso deixava Antonio cheio de alegria. Assoviava melodias da época e cantarolava pelos cantos do depósito antevendo o reencontro com o filho.
               O caminhão chegou cedo para que os três amigos carregassem as mercadorias. O serviço durou cerca de uma hora e o veículo deixou o armazém quando as ruas ainda estavam desertas.
               O caminhão rodou livremente pela estrada pelos vinte quilômetros de distância até chegar ao portão de entrada onde dois cavaleiros estavam esperando pelo caminhão. Em dez minutos estacionaram em frente ao galpão aonde descarregaram a mercadoria.
               Otávio chegou para cumprimentar os funcionários do armazém e principalmente para rever Antonio, por quem sentia profunda simpatia, não sabendo explicar o porquê disso. Dirceu e Darci estavam ao lado do patrão e se prontificaram a ajudar a limpar a carroceria e arrumar as lonas.
               ― Penso que haveremos de fazer uma parceria duradoura – falou Otávio, puxando a conversa com os três empregados. – Estou tomando posse desta fazenda e preciso de muito produto para fazer com que se torne produtiva.
               ― O armazém tem grande disponibilidade de produtos que serão utilizados aqui – comentou Antonio, sentindo-se feliz por estar ao lado do filho. – Com certeza seu Medeiros dará crédito para o senhor comprar o que desejar.
               ― Minha necessidade é de ter o produto para pronta entrega, pois dinheiro não é problema e temos com o que investir na propriedade.
               Nesse instante chegaram os irmãos, Darci e Dirceu, para tratar com o patrão a compra de muitas cabeças de gado de um vizinho que estava em dificuldades financeiras. O patrão mandou que olhassem o gado e, se fosse do agrado, que oferecessem o justo pelo plantel. Ele confiava em seus olhares de vaqueiros experientes.
               Os irmãos convidaram os empregados do armazém e o motorista para catar pinhão debaixo de alguns pinheiros centenários. Os pinhões eram grandes e logo encheu vários chapéus. Darci amontoou muitas grimpas, jogou os pinhões sobre elas e ateou fogo na parte de baixo. A sapecada foi rápida e em minutos estavam catando os pinhões assados em meio ao que restava da fogueira.
               ― Essa é a melhor maneira de se comer pinhão – disse Darci enquanto mastigava a semente enegrecida pelo fogo.
               Antes de montar em seus cavalos e rumar até a fazenda nas proximidades, cochicharam algumas palavras no ouvido do patrão que riu enquanto olhava para Antonio.
               Quando os irmãos se afastaram, Otávio se aproximou de Antonio e contou o que lhe haviam dito:
               ― Seu Antonio, eles me disseram que o senhor é muito parecido comigo e que talvez sejamos parentes. Como não sabemos a origem de muita gente pode ser que sejamos parentes de longe.
                Antonio queria morrer ao ouvir o filho lhe dizer essas coisas que machucavam profundamente seu coração. Não sabia o que dizer preferindo ficar quieto e deixar Otávio falar. Por isso calou-se e apenas ficou olhando para o jovem fazendo um sinal de positivo com a cabeça.
               ― E se fossemos parentes? O que aconteceria? – perguntou Antonio depois de tomar coragem para tanto.
               ― Se fossemos parentes não nos daríamos tão bem, porque os parentes em geral não combinam e desejam coisas diferentes.
               Antonio viu ao longe a poeira na estrada, e, para não ter qualquer surpresa com Altair, que poderia estar chegando, despediu-se de Otávio e foi para os lados do caminhão onde os amigos o esperavam.
               Em poucos minutos o caminhão saía pelo portão chegando na estrada enquanto o outro caminhão que vinha em sentido oposto deu sinal e entrou na fazenda. Quando se cruzaram Antonio olhou para o veículo que chegava e viu Altair no assento, como caroneiro, dando instruções ao motorista.
                  
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

“Eu chamo de bravo aquele que ultrapassou seus desejos, e não aquele que venceu seus inimigos; pois a mais dura das vitórias é a vitória sobre si mesmo.” (Aristóteles)