Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 19: Visita

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CAPÍTULO 19
 
 
 
                  Visita                                          

 
                                           Anastácia recebe a visita de uma senhora   
                                         que no futuro fundaria um Centro Espírita 
                                e seria muito conhecida como grande
médium e Espírita. 



               No dia seguinte dona Anastácia estava se preparando para fazer o almoço quando ouviu alguém bater palmas em frente à casa. Deixou de lado o que estava fazendo e foi ver de quem se tratava. Era uma amiga de alguns anos que estava visitando-a com um filho de nove meses no colo.
               ― Se achegue dona Maria, que a casa é sua – disse-lhe dona Anastácia com amabilidade, abrindo a porta para que a senhora entrasse. – Faça de conta que a senhora está em sua casa.
               Dona Maria assentou-se numa cadeira de palha, perto do fogão, e iniciou a conversa com dona Anastácia.
              ― Minha amiga! Venho trazer o menino para ser benzido, pois está com quebranto e não dorme de noite. Há alguns dias que tenho que vir, mas não tenho tempo. 
               ― Pois é dona Maria, cuidar da casa e dos filhos dá um trabalhão enorme. Eu que só tive um estou sempre às voltas com o serviço.
               ― E a senhora ainda atende o povo que precisa de um benzimento, um remédio. Deus dá a cruz a cada um de acordo com suas forças.
               ― Mas a senhora tem que ter muita força dona Maria, pois são seis filhos para criar. Às vezes fico pensando o que eu faria se tivesse seis filhos. Acho que teriam que me internar no hospício.
               ― Dona Anastácia essas coisas não funcionam assim. A gente dá um jeitinho de cuidar de cada um e os maiores vão cuidando dos menores. No fim das contas dá tudo certo.
               ― Como estão os trabalhos na serraria? – dona Anastácia desejava saber como estava indo o serviço, pois seu Artêmio havia trabalhado algum tempo com o marido de dona Maria.
               ― A senhora sabe que o serviço de derrubada de pinheiros e o beneficiamento são serviços muito perigosos. A equipe de mato está sempre às voltas com acidentes, pequenos, graças a Deus, mas o perigo é grande. Também o serviço na serraria é perigoso, pois lidam com toras de pinheiros de mais de metro de diâmetro e sempre há o perigo de acidentes.
               ― A senhora continua morando perto da serraria?
               ― Sim. Os empregados recebem casa para moradia e não temos outro lugar para ir. Não me queixo do lugar, antes agradeço a Deus por ter serviço para meu marido e uma casinha para morar. Para quem sempre andou com a mala nas costas está muito bem.
               ― E a senhora tem algum plano para o futuro de seus filhos?
               ― Ainda bem que a cidade já se emancipou e tem escolas para as crianças. Mas ainda moramos longe dos recursos e precisamos nos mudar dentro de algum tempo.
               ― Fique tranquila dona Maria que a senhora vai conseguir se mudar para as proximidades do centro da cidade e então seus filhos poderão estudar.
               ― Dona Anastácia reze por nós para que possamos dar uma vida digna a nossos filhos. Tenho medo de que a jagunçada que ainda vaga por aí possa nos fazer algum mal.
               ― A senhora havia me contado que passaram por maus bocados por causa de jagunços...
               ― Quando viemos de Santa Catarina, ficamos um período em Pato Branco e depois seguimos para Porto Santana, perto do rio Iguaçu, onde compramos um pedaço de terra. Tempos depois tivemos que pagar novamente pela terra para não perdermos tudo. Depois os jagunços nos expulsaram de lá e nos disseram que seríamos mortos se voltássemos ao lugar. Para não morrer viemos embora sem um lugar para ficar.
               ― Hoje vocês estão bem e no futuro estarão melhor ainda, através do trabalho e da dedicação. Mas vocês têm um princípio espiritual de alto quilate e haverão de desenvolver esse dom para ajudar o próximo.
               ― Gostaria que a senhora me explicasse melhor o que é esse dom...
               ― Dona Maria! Eu tenho a felicidade de poder cuidar das pessoas, benzer, dar remédios de ervas, curar feridas, retirar os maus Espíritos, tirar o mau olhado. A senhora também tem esse dom e é preciso desenvolver com pessoas que tenham a prática disso.
               ― Eu sempre enxerguei os Espíritos, conversei com eles, mas não sei como fazer para lidar com esse dom. Talvez tenha que sair da cidade e procurar alguém que saiba fazer isso.
               ― Não dona Maria, isso não é necessário. Chegará o dia em que a senhora haverá de encontrar pessoas que conheçam esse assunto e então será o tempo de desenvolver esse dom de lidar com os Espíritos.
               ― Se encontrasse alguém que pudesse me ajudar iria de bom grado aprender a lidar com essas coisas, pois o que vejo são os Espíritos bons. Os maus Espíritos não conseguem se aproximar.
               ― A senhora terá uma casa de atendimento espiritual e então todas as dúvidas serão esclarecidas. Vamos aproveitar e benzer o menino. Qual é o nome dele?
               ― Luiz.
               Dona Anastácia benzeu o menino com um galho de arruda, retirando os maus fluidos de seu corpo. O Espírito sentia os eflúvios salutares que preenchiam o ambiente enquanto dona Anastácia fazia suas orações. Os mentores espirituais estavam presentes cuidando para que as influências negativas não alcançassem a criança. Depois da oração a médium pegou um pedaço de papel branco e nele escreveu o nome completo de dona Maria para que ficasse no livro de orações. No bilhete lia-se: Maria Daminélli Marini.
                  

 

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"O sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas; é o que formula as verdadeiras perguntas." (Claude Lévi-Strauss)