Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 16: No cartório

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CAPÍTULO 16
 
 
 
               No cartório                            

 
                                   O fazendeiro e os jagunços chegam ao
                               cartório para fazer a escritura e são
         cercados pelos colonos.



               Dois dias depois Otávio chegou com Altair para escriturar uma fazenda em seu nome. Dois caminhões foram estacionados em frente ao cartório e deles desceram muitos jagunços protegendo o fazendeiro e seu filho.
               Chegaram no horário aprazado com o cartorário para assinar a papelada referente à escrituração das terras ao moço. Essa documentação havia sido feita anteriormente, e, assim, foi rápida a estadia no cartório e em poucos minutos estavam novamente nos caminhões.
               Os colonos chegaram rapidamente e rodearam os veículos não permitindo que seguissem viagem. Estavam armados com espingardas, facões e pedaços de paus. Gritavam ordens para que os jagunços descessem das carrocerias e seguissem até a delegacia onde deveriam permanecer presos. A seu turno, os jagunços estavam com as armas engatilhadas, prontas para disparar contra a multidão.
               Seu Pedrinho, seu Medeiros e seu Artêmio se aproximaram da turba e pediram para falar com os chefes do movimento. Após dez minutos de conversa os colonos foram convidados pelos comandantes para retornar às suas casas. Não era o momento certo de fazer piquetes e revoltas. Além disso, muitos colonos seriam mortos, pois os jagunços eram muitos e estavam bem armados.
               O fazendeiro mandou os motoristas seguirem até o armazém de seu Medeiros. Antonio estava no depósito e ouviu a voz do inimigo na sala principal. Ficou escondido entre as caixas de produtos esperando que a jagunçada fosse embora. Ficou estático durante meia hora e, de repente, ouviu a voz do patrão que o chamava para um serviço.
               Antonio ergueu a gola do casaco, enfiou o chapéu de aba larga bem fundo na cabeça, criou coragem e entrou no armazém onde viu Otávio e Altair fazendo compras no outro lado da sala. 
               Seu Medeiros chamou-o para pedir que levasse alguns mantimentos até a casa de dona Joana, que morava três quadras dali. Rapidamente pegou a sacola de compras, colocou no ombro direito para se esconder do fazendeiro e saiu porta a fora no rumo pretendido.
               Quando saiu à rua encontrou-se com Dirceu e Darci que lhe perguntaram se podia auxiliá-los a deixar a cidade, pois pretendiam mudar de vida. Antonio disse-lhes que estava se esforçando para descobrir algum motorista que se dispusesse ajudar e quando tivesse notícias mandaria aviso.
               Antonio demorou mais do que o tempo necessário para fazer a entrega e ficou algum tempo zanzando pelas ruas até se certificar que o fazendeiro havia ido embora.
               Seu Medeiros estranhou o fato de Antonio demorar na entrega, pois sempre o fazia com rapidez. Não quis perguntar ao empregado o que havia acontecido, pois afinal, ele já estava de volta e isso é o que interessava.
                
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Sábio é o homem que chega a ter consciência de sua ignorância." (Barão de Itararé)