Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 12: O cliente

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CAPÍTULO 12
 
 
 
           O cliente                              

 
                                  Cinco jagunços entraram no armazém
                         e Antonio se depara com alguém
muito especial.      



               Antonio levantava cedo, cevava o mate com erva nativa, canchada no barbaquá de seu Olivo, tomava diversas cuias e depois preparava o café com pão e misturas. Perto das sete horas já estava na bodega ajudando seu Medeiros abrir as portas. Com o passar do tempo angariou a confiança do patrão e começou a ajudar a atender a freguesia nos momentos de apuros.
               Marilda, a esposa de seu Medeiros e o filho José tomavam a frente na condução dos negócios. A filha, Conceição, de quinze anos, também ajudava no armazém, principalmente no caixa, pois era moça que havia estudado o bastante para fazer contas e escrever.
               Certa manhã, enquanto Antonio ajudava José a descarregar algumas sacas de feijão, eis que um burburinho se forma na frente do armazém. Alguns jagunços chegaram a cavalo e apearam, amarrando os animais num tronco ao lado do armazém. Os fregueses saíram apressados, com medo de represálias dos homens mal encarados.
               Antonio e José deixaram o depósito e se aproximaram do balcão para ajudar seu Medeiros no atendimento. Cinco jagunços entraram e se posicionaram em pontos estratégicos nos cantos da sala enorme.
               Em minutos entrou um jovem com roupa clara, chapéu cinza e botas pretas, que se dirigiu ao balcão onde seu Medeiros estava esperando para atendê-lo.
               ― Bom dia! – disse o jovem ao bodegueiro.
               ― Bom dia! – respondeu seu Artêmio, sorrindo para o moço.
               ― Preciso de uma sela e de alguns apetrechos para a lida campeira. O senhor pode me mostrar alguns modelos? – a pergunta do jovem fez com que José se adiantasse e o conduzisse até um canto do armazém onde estavam expostos os produtos para cavalos e campeirismo.
               O moço olhou detidamente as selas, conversou com José que era entendido no assunto, e acabou comprando uma sela especial, um laço de doze braças, um poncho, um chapéu e uma camisa branca de mangas compridas.
               Quando se dirigiu ao caixa para pagar a conta não deixou de notar a moça bonita que estava do outro lado do balcão. Cumprimentou-a e alcançou o dinheiro para saldar a compra. Seus olhares se cruzaram e o jovem sorriu, agradecendo o atendimento e se retirou, seguido pelos jagunços.
               Antonio estava lívido, encostado num canto do balcão. Até no fim do mundo reconheceria seu filho, pois ele era a imagem de sua esposa assassinada e tinha alguns traços seus. O homem quase desmaiou quando viu o jovem conversar. Até a voz era parecida. Num ímpeto correu para a porta e viu o jovem montar a cavalo em meio aos jagunços e seguir pela estrada para o norte.
               Teve vontade de segui-los para saber aonde iam, mas a precaução tomou conta de si, pois sabia que com a jagunçada não se podia brincar que era morte na certa. Guardou para si o segredo e retornou ao serviço no depósito procurando disfarçar sua emoção.
                
 

Luiz Marini - Livros

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