Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 10: Seu Pedrinho

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CAPÍTULO 10
 
 
 
           Seu Pedrinho                      

 
                         Antonio é levado ao barbeiro para
            dar um trato na aparência.



               O barbeiro do bairro era seu Pedrinho, um senhor baixo, magro, cabelos e olhos negros e pele bronzeada, típica de caboclos cor-de-cuia. Estava sempre armado com um revólver Schmidt 32 “dobleve”, cano longo, para qualquer eventualidade, pois era também agrimensor do governo.
               Essa atividade de agrimensor lhe dava muita dor de cabeça, pois tinha que medir terras que estavam em litígio, em meio a jagunçada, nas grandes fazendas da região.
               Seu Pedrinho era afamado por não ter medo de jagunços ou bandoleiros. Enfrentava a todos sem qualquer receio e sempre pugnava pela justiça. Era homem de bem e nunca prejudicara quem quer que fosse, desde os tempos de tropeiro, quando levava porcos em rebanhos pelas estradas da região.
               Nas horas de folga era o barbeiro que atendia a população do bairro, pois era exímio com a tesoura na mão. Pai de oito filhos tinha cuidado para não cair em armadilhas e deixar viúva e órfãos na pequena casinha que possuía em uma das encostas da cidade.
               Quando viu o andarilho entrar levou um susto, pois estava acostumado a vê-lo passar pelo outro lado da rua, desconfiado que tinha medo de ter que entrar para aparar as madeixas longas.
               José acompanhava o andarilho e pediu a seu Pedrinho que cuidasse bem do homem, pois precisavam que ele ficasse apresentável para começar a trabalhar. Estava sóbrio na manhã de sábado e isso é o que importava, pois cortar o cabelo de bêbados era algo que seu Pedrinho não gostava de fazer, porque não paravam quietos, o corte ficava ruim e a reclamação chegava no outro dia quando estavam sóbrios e se olhavam no espelho.
            O andarilho estava bem, porém seus cabelos e barba estavam um pouco empoeirados e o barbeiro viu que o homem necessitava de um banho para o corte. Seu Pedrinho arrumou uma tina com água morna e mandou o homem lavar as madeixas. Em minutos apareceu o andarilho com outra aparência e cheiro.   
               Seu Pedrinho então fez o que gostava e meteu a tesoura no cabelo e na barba. Quando terminou era outro homem que aparecia na barbearia improvisada. O barbeiro sorriu com o serviço feito e mandou o homem procurar o trabalho para então virar freguês e manter a cara limpa.
               O andarilho olhou-se no espelho e levou um susto, pois não se reconheceu com a mudança no visual. As lembranças chegaram rapidamente e ele recordou o tempo quando tinha uma família, um pedaço de terra e uma morada para cuidar.
               Antonio não podia mais fugir de si mesmo e precisava encarar o mundo e as pessoas como ele era, sem disfarces, sem subterfúgios. Cumprimentou seu Pedrinho e agradeceu o serviço, pois havia ficado melhor que esperava. Foram muitos anos escondido debaixo da barba e do cabelo compridos e agora precisava se acostumar com a nova vida que se lhe apresentava.
               Era preciso caprichar e fazer o melhor de si começar a trabalhar para não decepcionar seu Pedrinho, seu Medeiros, José, Pedro e o casal Artêmio e Anastácia.
                
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Dedica uma das sete noites da semana ao Culto Evangélico no lar, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa." (Joana de Angelis)