Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 9: A benzedeira

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CAPÍTULO 9
 
 
 
           A benzedeira                 

 
                        Dona Anastácia, a benzedeira,
                        tem a missão de curar Antonio
                 que estava com amarelão.



               O bodegueiro notou que o andarilho estava com os olhos amarelados e apresentava sinais de fraqueza. Todas as tardes ele chegava, depois de beber em outras bodegas, para a saideira, quando já se encontrava cambaleando.
               Seu Medeiros comercializava bebidas, fumo, alimentos, roupas, ferramentas em seu estabelecimento comercial, uma bodega edificada ao lado da rua principal. Mas era com tristeza que servia o último aperitivo para o andarilho, que, depois, saía para os lados do rancho abandonado onde morava.
               Nessa tarde notou que o homem estava muito fraco e não conseguiria chegar ao rancho. Por experiência, notou que ele estava anêmico e com sinais característicos de amarelão. Pediu ao filho mais velho, José, que conduzisse o andarilho até a residência de dona Anastácia, senhora muito conhecida no lugar como perita na manipulação de remédios feitos a base de ervas medicinais.
               Ao entardecer, a carroça conduzindo Antonio chegou à casinha simples de dona Anastácia. O marido dela, seu Artêmio, recebeu o doente e o acomodou numa cadeira no alpendre que tinha vistas para a cidade.
               ― O pai pediu para trazer esse homem para dona Anastácia ver – disse o moço para seu Artêmio. – Ele deve esta com amarelão.
               ― A patroa já está vindo e o senhor pode voltar para a bodega e ajudar seu Medeiros que aqui nós nos encarregamos do visitante – recomendou ao moço para que retornasse à sua casa. – Quando estiver o serviço pronto nós o levaremos até seu rancho.
               ― Como é que o senhor está se sentindo? – perguntou ao andarilho.
               ― Estou mal, com dores no corpo todo e não sei o que é isso – respondeu Antonio.
           Fique calmo homem que a patroa vai dar jeito no senhor – Artêmio tentou acalmar o andarilho enquanto a esposa não vinha. – Esqueça o cansaço que isso é coisa que vamos dar conta. 
             ― Do jeito que estou o melhor é morrer para acabar de vez com meu sofrimento – confidenciou o homem doente. – Não tenho ânimo algum para viver.
               ― Ainda não está no tempo de morrer, pois o senhor é jovem e tem muita vida pela frente. A patroa está chegando e vai verificar o teu problema.
               Dona Anastácia chegou, vindo dos fundos da casa, onde havia uma horta bem cuidada. Era uma senhora de sessenta anos, mulata, magra e de cabelos negros, encaracolados, caindo sobre os ombros. O esposo já alcançara a casa dos setenta anos, mas era muito dinâmico e trabalhador.
               ― Anastácia, o seu Medeiros mandou o filho, José, trazer esse homem por causa de amarelão. De uma olhada se esse é o problema dele.
               Anastácia olhou atentamente nos olhos do andarilho e viu neles o amarelão estampado em seu olhar. Muito mais que o amarelão viu em seus olhos a tristeza infinita que o transformara num andarilho e bêbado. Ela tinha percepção mediúnica e viu o motivo real de sua decadência. Com firmeza na voz disse-lhe:
               ― O senhor está com amarelão e precisa cuidar urgentemente do fígado. A partir de hoje o senhor vai ter que parar de beber e fazer um tratamento a base de ervas para se curar. O senhor quer tomar os remédios e melhorar? – a pergunta foi espontânea e dita à queima-roupa.
               ― Sim. Eu quero melhorar. Preciso sair desse poço e voltar a viver. A senhora pode mandar que eu faço o que for preciso para isso.
               ― O senhor precisa se desintoxicar do álcool e arrumar ocupação para não cair novamente no vício. Meu marido vai lhe arrumar um trabalho e o senhor vai seguir à risca o tratamento. Em poucos dias estará bom. Vou fazer um café bem forte para ajudar a passar o mal estar.
               Dona Anastácia entrou na casa e foi à cozinha preparar o café enquanto seu Artêmio puxou conversa com o andarilho para tentar descobrir de onde viera e por que se encontrava naquela situação.
                
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Dedica uma das sete noites da semana ao Culto Evangélico no lar, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa." (Joana de Angelis)