Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 3: Com o irmão Delfino

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 CAPÍTULO 3
 
 
 
                                                            Com o irmão Delfino                                                       

 
                            O grupo da avó Maria vai à praça
                             assistir um concerto e encontra o
                          irmão Delfino.                               
 


               O povo estava chegando de todas as direções e a praça já estava repleta quando os acordes de música divina encheram os ares. Era o chamamento para o início do recital onde seriam executadas músicas clássicas e populares, que serviriam para recordar os tempos em que os Espíritos estiveram na carne.
               A música entoava hosanas a Deus e a vida agradecendo a felicidade estampada nos olhares singelos de quem aprendeu a amar as mais simples coisas que o mundo oferece. O local reservado a pratica da música estava lotado e também nós nos acomodamos em bancos confortáveis.
               O grupo musical era formado por sete jovens que cantavam melodias inesquecíveis que os Espíritos aprenderam a amar durante a encarnação. Depois tocaram músicas folclóricas de diversas regiões e, por fim concluíram a apresentação cantando diversas árias clássicas de muito bom gosto.
               Finda a apresentação o povo deixou as dependências do anfiteatro ao ar livre e ficou a passear pela praça dirigindo-se aos mais diferentes locais.
              Sentamos em bancos sob um Ipê florido e esperamos alguns amigos que haviam nos sinalizado pedindo para conversar conosco. Em minutos chegou o irmão Delfino acompanhado por irmã Bida, velhos conhecidos da avó Maria desde os tempos da Terra.
               ― Bom dia irmãos – disse-nos o irmão Delfino com um largo sorriso. – Como estão os irmãos?
               ― Bom dia - respondemos com satisfação.
               ― Que bom rever os amigos e poder conversar um pouco – disse o irmão Delfino com alegria.
               ― Quem tem a felicidade de conversar com o senhor, irmão Delfino, aprende muito – respondeu a avó Maria com um sorriso. – Sempre recordo que foi o senhor quem nos ensinou os primeiros passos da Doutrina Espírita.
               ― Nada disso, irmã. O que sempre fizemos foi transmitir os conhecimentos que havíamos adquiridos ao longo do tempo por sermos mais velhos.
               ― O senhor sabe, irmão, – comentou a avó Maria - que sua presença em nossa casa foi de grande valia, principalmente por estarmos iniciando nossas atividades no Espiritismo. E quem é infante sempre tem milhares de dúvidas e necessita de alguém que o oriente a dar os passos certos no caminho correto.
               ― A senhora sabe que não há acaso na vida da gente. Os mentores aproximam as pessoas certas no tempo certo, para que o planejamento idealizado no mundo espiritual se concretize na Terra.
               ― Eu sei, irmão Delfino, o quanto sofri com perturbações de toda ordem na família por ter a mediunidade e não saber o que fazer. Eu vivia acabrunhada pelos cantos, tinha doenças que ninguém conseguia descobrir, todas as coisas pareciam estar de cabeça para baixo e não encontrava solução para os problemas.
             ― Com certeza alguém, certo dia, indicou a Casa Espírita para a senhora – cientificou o irmão Delfino. - Quando começou a frequentar as reuniões viu que os problemas advinham da mediunidade não desenvolvida.
               ― Pois é, meu irmão – concordou a avó - alguém me disse para tentar o Centro Espírita como recurso e senti, nos primeiros trabalhos, que era o caminho a seguir. Depois de dois meses de frequência todos os sintomas desapareceram e vi que um novo caminho se abria para mim.
               ― Não estamos dizendo que a Doutrina Espírita é o melhor caminho – comentou o irmão Delfino, - até porque existem milhares de sendas para se chegar até Deus, mas para nós, médiuns, foi a estrada luminosa que nos permitiu conhecer Jesus de uma forma singela e nos consentiu galgar os degraus do conhecimento espiritual.
               ― Consegui aprender muito na Doutrina e o Dr. Bezerra pediu que eu deixasse o Centro para fundar outra Casa Espírita, pois na visão dos mentores é necessário disseminar o Espiritismo para esclarecer e melhorar o maior número possível de pessoas. Fiz isso sem qualquer recurso monetário, utilizando peças de uma construção nos fundos da casa onde morava.
               ― Todos os Centros Espíritas que começam pequenos e simples têm grandes possibilidades de se tornarem prósperos, pois os dirigentes aprendem a lidar com a simplicidade que deve imperar também em seus corações.
               O irmão Delfino sabia muito bem o que era simplicidade de coração que deve emoldurar as ações dos dirigentes das Casas Espíritas, pois lidou a vida toda com muitos Centros e com muitos dirigentes, e, em meio ao trigo encontrou muito joio e outras ervas daninhas.
               ― Jesus dizia que nossa casa deve ser construída sobre a rocha para que quando chegar os ventos e a tempestade ela resista – afirmou a avó. - Os Centros Espíritas devem ser construídos sobre os alicerces do amor, da fé, da fraternidade e da caridade, para que os seus membros não se tornem Espíritas chamados de “escritório”, que tudo sabem sobre a doutrina, mas nada fazem pelo semelhante.
               ― Irmã Maria – disse o irmão - falando sobre Espíritas de “escritório” estou recordando que muitos daqueles que assim se rotulavam estão perdidos por aí, longe das cidades espirituais de bom nível, por apenas pregarem a palavra sem que a cumprisse. Tenho andado por dezenas de cidades espirituais, mas não tenho encontrado aqueles Espíritas mencionados que conheci. Em compensação os que pouco falavam e muito faziam estão em lugares esplendorosos na espiritualidade e isso serve de incentivo para os que vêm à retaguarda.
               ― Com certeza, irmão Delfino, o orgulho e a vaidade acabam prendendo os Espíritos nas malhas escuras do umbral – afirmou a avó Maria. - Os pequeninos encontram a paz que procuram no limiar do novo mundo e estabelecem novas diretrizes para suas vidas no reencontro com Jesus.
               ― Minha irmã - anunciou o irmão em despedida - com pesar tenho que dizer que estou com muitos compromissos em nossa escola e tenho que deixá-los. Mas estamos sempre por aí e não é difícil nos encontrar para bater um papo proveitoso.
               O irmão Delfino e a irmã Bida abraçaram-nos e seguiram seu caminho. A avó Maria olhou-nos e disse:
               ― O irmão Delfino foi o professor que nos ensinou as primeiras letras do Espiritismo e nos mostrou o caminho de luz que representa para as almas que palmilham os caminhos na Terra.
 
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Nem Jesus Cristo, quando veio à Terra, se propôs resolver o problema particular de alguém. Ele se limitou a nos ensinar o caminho, que necessitamos palmilhar por nós mesmos." (Francisco Cândido Xavier)