Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 6: Breve histórico da Revolta dos Colonos

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CAPÍTULO 6
 
 
 
                                                       Breve histórico da Revolta dos Colonos                  

 
                                 Luiz Dam narra a história da Revolta
                                  dos Colonos enquanto o telão mostra
  imagens da época.
                               


           Luiz Dam começou a narrativa enquanto o telão mostrava imagens da época quando o sudoeste paranaense era uma floresta tapada de pinheiros Araucária e recebia os primeiros imigrantes vindos principalmente do sul do Brasil.
           Luiz Dam falava sobre as imagens mostradas fazendo as pausas necessárias para que pudéssemos absorver ao máximo os relatos.
           ― Os primeiros colonos que se aventuraram na região sudoeste do Paraná chegavam dos mais diversos rincões para fincar raízes, encravar bandeiras, derrubar pedaços da floresta de araucárias e plantar o seu sustento. Desde o início do século XX os primeiros colonizadores adentravam a região para começar vida nova numa terra muito diferente dos campos de Palmas e de Clevelândia, onde os primeiros habitantes davam apoio às caravanas de gado, equinos e muares que seguiam do Rio Grande do Sul para São Paulo. As terras eram colonizadas por posseiros, pois ainda não possuíam títulos de propriedade, o que só aconteceu depois que Getúlio Vargas determinou que o oeste fosse conquistado para abrir novas frentes de produção de alimentos e para cravar, de vez, a colonização das terras que eram cobiçadas por estrangeiros. As novas terras despertaram cobiça das Companhias colonizadoras que entraram na região e, em batalhas judiciais, conseguiam o aval para vender as propriedades aos posseiros. Os posseiros estavam entre a cruz e a espada. Se não pagassem às Companhias eram visitados por jagunços que os maltratavam; se pagassem recebiam pedaços de papel comum como recibo dos jagunços. A opressão dos poderosos contra os fracos sertanejos deflagrou a ira do povo que não aguentava mais os desmandos a que era submetido. A insatisfação foi crescendo e atingiu o ápice com o assassinato de um vereador e da esposa e dois filhos de um colono. Em resposta aos ataques e o aumento da violência no campo, os colonos começaram a formalizar a união com os habitantes da cidade visando deflagrar a revolta dos posseiros e expulsar, de vez, os inimigos da região. A junção de forças criou o estopim de um movimento inédito em favor dos posseiros. A revolta dos colonos ficou conhecida como a Revolta de 57 e foi divulgada pela imprensa brasileira. Finalmente um povo, que era humilhado, conseguia se livrar da opressão das Companhias que comercializavam terras com o aval dos governantes. A revolta restabeleceu a ordem numa região imensa onde os jagunços cometiam todo tipo de crimes sem que fossem punidos, as Companhias se locupletavam do poder oprimindo os colonos, os governos se alternavam no poder, ora ajudando os colonos, ora auxiliando as Companhias. A Companhia Comercial Agrícola e a Companhia Apucarana eram empresas imobiliárias que haviam implantado um regime de violência e terror na região com a conivência das autoridades. Os líderes do movimento se reuniram para determinar o momento ideal para que o movimento ganhasse força e arregimentasse o povo nesse projeto que visava alcançar a justiça na questão da terra. Em março de 1957, um abaixo-assinado de moradores de Santo Antônio do Sudoeste é levado ao Rio de Janeiro e quando um novo abaixo-assinado seria enviado ao Rio o vereador Pedro L. Camargo é assassinado. Em 02 de agosto um grupo de colonos armados se dirige aos escritórios da Companhia em Verê e é atacado pelos jagunços, que matam diversos manifestantes. Em 04 de agosto a Citla (Clevelândia Industrial e Territorial Ltda.) perde, no STF do Rio de Janeiro, um recurso relativo ao reconhecimento de terras e isso é amplamente divulgado pelas rádios da região. Nesse tempo, como defesa contra os jagunços, os colonos contratam os serviços de homens armados para defendê-los e ocorrem várias escaramuças e mortes dos dois lados. Chega o mês de setembro e dois mil colonos invadem o escritório da Companhia em Capanema afugentando os funcionários. O estopim da revolta atinge também a cidade de Foz do Iguaçu, onde o exército consegue uma trégua provisória no conflito. Pato Branco e Francisco Beltrão tornam-se os focos da revolta e os conflitos continuam atormentando a vida dos colonos e dos cidadãos das duas cidades que também são vitimas dos ataques dos jagunços. Em 09 de outubro os cidadãos de Pato Branco são convocados pela rádio local a se reunir para resolver de uma vez por todas os problemas com as Companhias. O povo se reúne e pleiteia junto ao governo estadual o fechamento das empresas. O Ministro da Guerra envia um ultimato ao governador Moisés Lupion para fechar as Companhias e acalmar os colonos caso contrário haveria intervenção federal no estado. No dia 10 de outubro a comunidade de Pato Branco inicia a Revolta dos Colonos, seguida por Francisco Beltrão no dia 11 e Santo Antônio do Sudoeste no dia 12. Prefeituras, coletorias e escritórios das Companhias são tomados, as notas promissórias e escrituras são rasgadas e os jagunços e funcionários das Companhias são expulsos das cidades. Sob pressão, o governador é obrigado a retirar as Companhias da região. Em 1962 um decreto federal cria uma comissão para medir e demarcar os lotes dos posseiros da região. Em 1973 foram concluídos os trabalhos sendo titulados 32.234 lotes rurais e 24.661 lotes urbanos. A Revolta dos Posseiros havia conseguido atingir os objetivos a que se propunha. Em Pato Branco e Francisco Beltrão mais de seis mil homens em cada cidade se armaram com espingardas, facões e foices para combater o crime organizado pelas Companhias. A força do povo conseguiu barrar a opressão das Companhias que tinha a força do braço assassino dos jagunços e as artimanhas com as autoridades. Nesse caso constatamos a veracidade do axioma que diz: “A voz do povo é a voz de Deus”.
           Luiz Dam concluiu seu estudo sobre a história da região, enriquecida pelas imagens, e, em seguida, a senhora Maria nos disse que as imagens subsequentes mostrariam a história real das desavenças entre grupos de jagunços e de colonos, que culminaria nas perseguições atuais no caso de obsessão que estávamos tendo conhecimento.
           Mostrou-nos, em uma tela disposta numa das paredes do Centro, a projeção de imagens de acontecimentos ocorridos antes e durante a Revolta dos Colonos que haviam gerado o conflito atual. Em cores vivas observamos os personagens na trama que se desenvolveu no sudoeste do Paraná quando ainda havia muitos conflitos entre posseiros e jagunços pelas terras a desbravar.
 
 
FIM DA PRIMEIRA PARTE
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando da condição de espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelo menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos." (André Luiz)