Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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Catástrofes

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O mundo se tornou pequeno desde o momento em que os veículos de comunicação se tornaram os meios de levar imagens de fatos que ocorrem num determinado local para todos os recantos do planeta. Os satélites proporcionam captação de imagens e distribuição instantânea para bilhões de pessoas.

O mundo globalizado mostra aos homens praticamente tudo o que ocorre em qualquer parte da Terra, instantaneamente. A cultura dos povos é mostrada todos os dias sem qualquer omissão. Desde o mais simples agricultor dos confins da Terra até a mais sofisticada fábrica de eletroeletrônicos é mostrada de forma nua e crua.

Nesse patamar de informações a vida se descortina e todos conseguem saber dos acontecimentos do mundo. Assim, a vida do mais austero asceta, no mais recôndito sertão, já não permanece obscura e escondida, pois sempre tem alguém com uma câmera na mão para enviar imagens para o mundo.

A mídia vive da exploração de imagens e quanto mais fortes, mais arrecadação gerará aos seus cofres. Isso gera uma corrida sem precedentes por este tipo de imagem, pois o povo gosta de ver coisas fortes e impressionantes. Nesse rol estão as catástrofes de todos os tipos e espécies.

A catástrofe ocorrida no Estado do Rio de Janeiro, na região serrana, neste início de 2011, com chuvas torrenciais provocando deslizamentos e inundações gigantescas, com mais de 800 mortes, milhares de feridos e desabrigados, causa consternação sem limites.

Um velho amigo, seu Francelino, há muitos anos, dizia, referindo-se a um rio que havia sido aterrado em certos pontos na cidade:

- “O rio é aterrado para que o homem possa construir sobre seu leito. Um dia o rio se rebela e exige suas margens de volta. A revolta do rio vem acompanhada por enchentes e milhares de mortes”.

No oriente constroem cidades e aeroportos em aterros feitos no mar. Até quando o oceano deixará impune esses atos?

Estudos confirmam que os rios têm os seus períodos de vazantes e enchentes. Nas vazantes, o homem constrói moradias às suas margens. No período de cheias as águas se propagam e atingem as casas que foram construídas no lugar. É o sábio parecer do velho amigo sobre a utilização das margens dos rios.

E os morros? São granito puro recobertos com fina camada de terra onde arbustos e árvores de pequeno porte sobrevivem. Com as chuvas torrenciais a camada sobre a pedra desliza e provoca avalanches devastadoras, levando casas, calçamentos, postes, carros e matando muita gente.

A edificação, por mais forte que seja, não consegue segurar as milhões de toneladas de terra, água e vegetação que desce.

Muitos amigos dirão que o povo não tem onde construir e acabam fazendo suas casas nas beiras dos rios e altos dos morros em ocupações ilegais. Estão colocando seus pescoços na forca e, mais dia menos dia, acabarão enforcados.

Como cidadãos devem exigir que se cumpram os planos diretores das cidades que exige que as construções sejam erguidas somente em locais permitidos, que os governos ofereçam planos de moradia em locais propícios, com infra-estrutura e transporte adequados, além do emprego digno para se pagar os custos de se morar em locais distantes.

A transferência das famílias que estão em locais de risco para bairros seguros terá um impacto de custo menor do que o custo das vidas e dos bens materiais que ocorrem com as catástrofes.

E o pior nisso tudo é que os mortos são enterrados, os entulhos retirados, e as casas são reconstruídas no mesmo local. Com certeza novas catástrofes ocorrerão e novamente haverá mortes e prejuízos materiais que se contarão aos milhares de dólares. Vemos isso todos os dias. Podemos afirmar que tudo ficará bem até a próxima enchente ou desmoronamento.

Um amigo que mora no interior de nosso município e que planta verduras, contou-me que nos fundos da plantação tem uma elevação onde os vizinhos plantam soja e milho. Quando chove muito a enxurrada que desce forma um rio e arrasta tudo pela frente.

Os vizinhos da parte alta desmancharam os murunduns da lavoura levando ao acumulo de água que desce até a sua plantação. Esse amigo teve que fazer murunduns altos em sua propriedade e fazer com que a água escoe para as matas adjacentes. E os vizinhos não querem saber de proteger a sua propriedade, nem estão preocupados com os que moram na parte de baixo.

Por aí vemos como é que começam os problemas de erosão e avalanches. Acredito que se o individual estiver bem, o global estará melhor. Se cada um cuidar de sua propriedade, todos estarão bem.

Os municípios deveriam ter em seus quadros uma equipe especializada em fiscalizar a arborização de fontes, córregos e rios, a proteção dos mananciais de todos os tipos, florestas, plantações, estradas, pontes. Se essa equipe, com poder de polícia, estudasse a tipografia das propriedades e fizesse um plano de contenção, armazenagem e escoamento da água das chuvas e proteção do solo, cada dono teria proteção de seu patrimônio e os problemas estariam resolvidos.

Como existem muitos recalcitrantes, que adoram desobedecer a ordens, que se apliquem multas ao não cumprimento das normas legais. Muitos só compreendem que fazem parte de um sistema global, onde é importante sua participação, quando sentem no bolso, ou seja quando são multados pecuniariamente.

É sempre melhor prevenir do que remediar. Os bilhões gastos em reconstrução poderiam ser utilizados de maneira racional com reassentamento de pessoas, tirando-as de locais de risco, limpeza de córregos e rios, reflorestamento de encostas, entre outras atividades que evitariam muitas tragédias.

Assistindo pela TV as imagens da catástrofe do Estado do Rio de Janeiro, um confrade pediu qual o posicionamento do Espiritismo sobre isso.

Em poucas palavras pude dizer-lhe que todos nós acumulamos carmas que devem ser resgatados de uma ou outra maneira. Os amigos lembram o axioma: “Quem com ferro fere com ferro será ferido?” Muitos que no passado mataram, coletivamente, com fogo, água, soterramento, hoje morrem queimados, afogados, soterrados.

Mas existe solução para esses casos? Com certeza existe e está em nossas próprias mãos, em nosso próprio esforço.

Lembro de Simão Pedro que dizia que o amor cobre a multidão de pecados. Isso quer dizer que se trabalharmos pela nossa edificação, poderemos apagar as manchas do passado e também reverter muitas dores a que estaríamos destinados.

Chico Xavier contou a história de um homem que fora em encarnação anterior um feitor de escravos que machucava e mutilava os braços dos negros e que deveria desencarnar nesta nova vida com os braços esmagados por uma máquina industrial. Mas ele havia se arrependido do que fez e modificou suas atitudes sendo na nova encarnação uma pessoa muito boa desde a mais tenra idade.

Pelo bem que fez, quando se aproximou a data de seu resgate, a pena foi comutada e ele perdeu, na máquina, apenas um dedo.

Por essa história podemos compreender que através do bem podemos modificar nosso destino, mudar resgates, aumentar os anos de vida para servir melhor a Deus.

Mas, se o resgate coletivo nos chamar para cumprir os desígnios de Deus, devemos aceitar isso como um marco separatório de uma vida anterior e de uma nova vida sem manchas ou pecados.

Para exemplificar vejamos a vida de Publios Lentulus, o senador romano que viveu à época de Cristo. O senador procurou Jesus, perto de uma fonte em Cafarnaum, para que intercedesse em favor de sua filha Flávia, que tinha lepra. Jesus a curou e pediu ao senador que O seguisse. Ele não o fez e tornou-se tirano com a esposa Lívia. Desencarnou quando da erupção do Vesúvio, na cidade de Pompéia em 79 d.C. 50 anos depois regressa à carne como o escravo Nestório e é martirizado no grande circo.

Depois de algumas encarnações, volta ao corpo como padre Manoel da Nóbrega. Assume depois a personalidade de Emmanuel, um dos principais mentores espirituais de Chico Xavier. A morte em Pompéia marca o fim da história de um homem orgulhoso e o início da epopéia de um grande Espírito de luz.

Aos amigos apresentamos algumas fotos de cidades ao redor de vulcões italianos que seguidamente entram em erupção. Não seria mais interessante construir a cidade um pouco mais distante dos vulcões?

 

Vulcão Vesúvio

 

Fotos do Vesúvio com a cidade de Pompéia ao redor:

 

 Pessoas mortas e fossilizadas durante a erupção de 79 d.C.:

Os primeiros vestígios da fundação de Pompéia datam do século VII a.C. Entre 27 a.C. e 37 d.C., Pompéia teve sua época de esplendor. Foram construídos belos edifícios privados e públicos. O auge foi na época dos imperadores Augusto e Tibério. No ano 62 d.C. houve um forte terremoto que deixou grandes estragos na cidade. Em 24 de agosto de 79 d.C., em plena reconstrução da cidade, ocorreu uma erupção do Vesúvio, que matou mais de 3 mil habitantes e que sepultou a cidade.

 

O vulcão Etna

O Etna é um vulcão ativo situado na parte oriental da Sicília (Itália), entre as províncias de Messina e Catânia. É o mais alto vulcão da Europa e um dos mais altos do mundo, atingindo aproximadamente 3.340 metros de altura.

Além de ser o vulcão mais alto da Europa, o Etna é também a mais alta montanha da Itália ao sul dos Alpes. A extensão total da base do vulcão é de 1.190 km², com uma circunferência de 140 km, o que faz do Etna o maior vulcão da Itália e da Europa, superando em quase três vezes o tamanho do Vesúvio.

É um dos mais ativos vulcões da Terra e está praticamente em constante erupção. Ocasionalmente, o Etna pode ser bastante destrutivo, mas, normalmente, as erupções não oferecem grande risco à população que vive nas localidades próximas. Os solos vulcânicos em redor propiciam bons campos para a agricultura, com vinhedos e hortas espalhados nas faldas da montanha e em toda planície de Catânia, a sul.

Imagens do Etna em erupção no dia 12 de janeiro de 2011, tendo a cidade de Catânia a seus pés:

 

Imagens de outras erupções do Etna:

 

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando da condição de espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelo menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos." (André Luiz)